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Revista Estúdio 50
Número 04 | Ano 1 | Agosto de 2021
36 páginas


Nesta edição:

  • Ana Carolina Assis entrevista Estela Rosa
  • A casa editorial da poesia contemporânea, por Anelise Freitas
  • Três poemas inéditos de Fernanda Vivacqua
  • Um trecho de Paterson, de William Carlos Williams, traduzido por Amarílis Lage e João Moura Fernandes  


Editorial

Contar uma história pode se dar de várias formas, e a maioria delas tende a criar uma sensação de realidade, o que não significa necessariamente uma equivalência direta com o que chamamos de real. É mais ou menos isso o que Estela Rosa apresenta no seu novo livro, Cine Studio 33, que, além de ser o lançamento das Edições Macondo do mês que vem, é também o motivo e as reverberações da entrevista dessa edição, guiada pela poeta Ana Carolina Assis. Nessa conversa, Estela nos conta como os textos, mesmo de ficção, mas com os ares de realidade, quando colocados em livro, se tornam um documento histórico que abandona as regras do registro ficcional e passa a ser o que realmente aconteceu. É como se apenas quando escritas, a partir da montagem da memória, as histórias se tornassem reais. O Cine Studio 33 é sobre esse rasgo que operamos na realidade, ao transportar as narrativas de uma família e de uma cidade, que se confundem, para as páginas de um livro impresso. A ilha de edição não é apenas a da memória, mas também a do próprio cinema, o que dá título a esse projeto e o que acompanha, em tom quase documental, não apenas os textos que lemos nesse novo trabalho da poeta, como também a entrevista, em que às vezes não sabemos se Estela fala do que aconteceu na sua vida, ou se fala do que está escrito no livro (o que, na verdade, não importa muito).

São também as histórias e as possibilidades de recontá-las que guiam os textos de Anelise Freitas e Fernanda Vivacqua nessa edição. Enquanto Anelise parte de alguns poemas de Ana Guadalupe e de Camila Assad para pensar na casa e na poesia, constrói a partir deles, e das suas experiências entre várias casas, um lugar de possibilidades, esse que só existe pelas palavras e pelas ações que tomamos a partir delas. Já Fernanda propõe uma reconstrução das histórias clássicas de violência entre homem e mulher, mostrando que a inversão dos termos pode não apenas nos fazer enxergar com outros olhos tal relação de dominação, mas também reconstruir as narrativas oficiais.

Por fim, encerrando este quarto número da Estúdio 50, Amarílis Lage e João Moura Fernandes nos apresentam a tradução de um dos excertos de Paterson, poema épico do estadounidense William Carlos Williams, que coloca em tensão e reconstrução não apenas a pulsão de um logos e a realização de uma epopeia, mas também a própria materialidade escrita das palavras.

Tenham uma boa leitura,

Edições Macondo